Eu e as vírgulas temos um problema.
O problema é: falta de empatia.
Nada pessoal, empatia mesmo.
É engraçado, porque falo falta de empatia e você logo pensa em faltar algo.
Mas não é bem isso. Da minha parte é o contrário. Sobra. Vou colocando as vírgulas e eles vão se apossando do texto.
Aí o texto vai ficando truncado, virgulado. Virgulino. Vilão. Alguns dizem que sim, outros dizem que não. Vilão não.
E aí quando você vê, tá cheio de vírgulas.
Então eu preciso começar a caça.
Substituo uma ou outra aqui por ponto e vírgula. Aí você fala: maluco, diz que é falta de empatia e troca vírgula por ponto e vírgula.
Eu te respondo: eu disse empatia, não disse que tinha lógica científica.
Às vezes prefiro reticências. Sei que elas não tem tanta relação com as vírgulas, mas tô só querendo falar de empatia.
Enfim, eu nunca perguntei o que elas acham disso, e nem vou.
Vou pontuando de outra forma.
Agora, presta atenção, o que eu falo sobre vírgulas não é somente no texto.
Também serve para a interpretação.
Tem espaço que nem cabe entre vírgulas.
A vírgula não é dona exclusiva das pausas.
Não é só porque existe o ponto e vírgula, seu primo mais estudado, não.
É porque é o sujeito que é o dono das vírgulas.
Enfim, não quero ficar aqui lamentando sobre minhas mazelas virgulinas.
Cada um sabe da sua vida e onde a vírgula aperta.
Eu prefiro reticências.
É melhor deixar em aberto do que tropeçar a vida inteira (o tempo inteiro).
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