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Pausa

Existem poemas para serem lidos e existem poemas para serem ditos.

Adoro escrever poemas para serem ditos.

Fico olhando para eles para ver se eles me dizem coisas também.

É só uma questão minha, não quer dizer que todo mundo seja assim.

As vezes eu fico procurando nos poemas que nascem para serem escritos, o que eles querem dizer, e nos ditos, como eu os leria.

As vezes não faz muita diferença.

Este por exemplo, é um poema para ser dito, mas quem disse isso?

Eu mesmo que escrevi.

E parece uma meta linguagem, poemas para serem ditos que estão sendo lidos? Então, é proibido ler este poema?

E pior, no fundo, qual o conteúdo deste poema, nenhum, fosse dito ou escrito, repara só. Nenhum conteúdo ...

Faz uma coisa, escreva e leia para ver, não tem nada escrito, não tem nada aqui, eu não disse nada de importante.

Meta linguagem total pelo não dito.

Às vezes os poemas não querem dizer nada mesmo, mas dizem com o ar que expiram, com o espaço e as pausas.

Vê a minha pausa dramática.

Viu, é o meu espaço, o meu mesmo, não é o autor não, meu, o intérprete, o que ele escreve é o espaço dele, mas este espaço aqui que é só meu: lê aí no poema, vê se você lê escrito: agora tem intervalo, pausa dramática.

Tem? Não tem, eu que dei.

É que este espaço, este intervalo, já disse, é todo meu. Cem por cento meu.

O autor pode até ter escrito, mas eu que fiz ele ser uma pausa. Eu que fiz você sentir que há uma pausa.

Mas quem sou eu? Eu sou o autor?

Pausa dramática ... agora tá escrito isso ...

Faz assim, me vê com pausa.

Me escuta com pausa.

Menos nota, mais pausa.

Vê como eu coloquei a pausa. Eu.

Inventa a tua pausa.

O não-dito é todo teu.

Na poesia.

Na vida.

Em tudo...

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